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Eu realmente preciso ter esse gasto?

Escrito por  Redação

12/06/2020 às 10:15

5 minutos

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Considerar cada detalhe do que se gasta é sim caminho para a organização financeira, independentemente de crise econômica

Falar em crise sempre assusta e provoca uma série de mudanças em nossas vidas. Uma delas mira bem no replanejamento financeiro, algo que muitas pessoas não sabem por onde começar. Mas não se desespere! O caminho não é tão tortuoso quanto se pensa, mas requer disciplina e foco para que tenha o controle de tudo, mesmo que o momento seja difícil. Por isso, fique de olho nas dicas do professor e gestor da Escola de Gestão e Negócios da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), José Garé, para lhe ajudar a ter sucesso nessa tarefa.

Em tempos de crise, por onde começar o ajuste do orçamento?
Tenha um orçamento detalhado, com todos os gastos e o quanto você ganha, para que possa relacionar todos os custos pessoais e domésticos. É importante também considerar quem compõem esse orçamento e se a receita é permanente. Caso seja autônimo, tire uma média de quanto teve de renda nos últimos 90 dias. A partir daí, o orçamento começa a ter nuances que devem ser levadas em consideração. Pontuar cada coisa é um importante instrumento dessa educação financeira.

Como organizar esse controle no dia a dia (planilhas, aplicativos etc.)?
Existem no Google várias planilhas de orçamentos domésticos, que vão desde as mais simples até as mais sofisticadas, que podem ajudar com excelente efeito. A partir desta escolha, relacione detalhadamente os gastos do fim de semana, contas essenciais, domésticas e faça questão de ter extrema disciplina nesta apuração. Uma observação importante é que o preciosismo no controle sempre dependerá de quanto se ganha. Para uma pessoa que ganha, por exemplo, 1 ou 2 salários mínimos faz muita diferença essa riqueza de detalhes.

Já para quem ganha R$ 20 mil não é tão necessário registrar uma gorjeta que foi dada, por exemplo. Entram para as despesas recorrentes: luz, escola, alimentação, combustível. É fundamental ter uma média trimestral desses custos, para ajudar na projeção de outros meses. Uma pergunta chave também é: quanto é o meu salário líquido? A partir daí, adaptar todas essas despesas recorrentes.

Qual o critério para listar as prioridades?
Identifique o que pode ser suprimido ou reduzido e gastos que podem ser postergados. Dê prioridade para as coisas essenciais, como alimentação e vestuário. Outra boa saída é substituir marcas que sejam caras por outras mais baratas e pesquisar preços. Essa iniciativa oferece diferenças significativas no orçamento. Outras ideias que colaboram no processo de disciplina financeira e impactam de modo positivo são: prestigiar os pequenos comércios, fazer compras coletivas e por atacado.

Dá para guardar dinheiro mesmo com redução de salário?
Dá para guardar dinheiro sim. Claro que sempre devemos relativizar as situações, considerando quem tem e quem não tem condições para isso, de acordo com o salário que ganha. A prática desse hábito pode começar a partir da ideia de guardar moedas. Junte de pouco em pouco e quando perceber, terá um dinheiro que pode virar rotina de poupança. Outra atitude é separar um valor, R$ 50, por exemplo, todo mês e guardar. Pode ser pequeno no primeiro momento, mas no acumulado do ano você terá um bom valor guardado. No caso da classe média, que compra muito no cartão de crédito, uma vantagem é acumular milhar que oferecem vantagens e ajudam na economia do orçamento. Neste momento, em que vivemos uma crise econômica proveniente da pandemia, é a hora certa para colocar em prática essa disciplina, mesmo que seja pela dor. Não tenha medo de pedir Nota Fiscal Paulista e negociar pagamentos com desconto à vista, por exemplo.

O que sugere como interessante para renegociar?
Comece com o que é possível, como aluguel e crédito imobiliário. Essa reformulação o ajudará a continuar com o projeto e ele caberá no seu orçamento.

É interessante quitar algo que tenha parcelado?
Essa ocasião chamamos de custo de oportunidade, que consiste em você deixar de fazer uma coisa para fazer outra. No caso de quem perdeu o emprego, é muito importante que pense sobre quanto tempo consegue “sobreviver” com o dinheiro que recebeu, alinhando com as despesas do orçamento e vendo o que pode entrar para a lista de prioridades de quitação, de acordo com a necessidade do dinheiro hoje e no futuro e as vantagens de desconto que pode ou não ter com essa medida.


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